Internet é cada vez mais decisiva nas contratações
Além de analisar perfis em redes sociais, empresas também optam agora pelas entrevistas por vídeo, via Skype ou Google Hangout
NAYARA FRAGA - O Estado de S.Paulo
Quando o executivo Rodrigo Forte chegou a uma empresa americana na condição de candidato a uma vaga de emprego, o pequeno número de salas de entrevista chamou sua atenção. O ramo da companhia era justamente o de recursos humanos e sua filial brasileira, onde Forte trabalhava, tinha 40 salas, para dar conta do encontro entre candidatos e recrutadores terceirizados.
"Por que aqui há só sete salas?", perguntou Forte. O executivo que iria entrevistá-lo explicou: "As entrevistas de emprego feitas pessoalmente não são um costume forte aqui nos Estados Unidos". Mais tarde, Forte - hoje sócio da Exec, consultoria especializada na contratação de executivos - começou a perceber que esse cenário era um sinal dos novos tempos.
Há pelo menos 40 centros urbanos relevantes nos Estados Unidos. Se a empresa está em Nova York e o candidato está em San Francisco, por exemplo, cinco mil quilômetros de distância impedem uma conversa ao vivo. A internet, então, resolve o problema: o recrutador marca a entrevista por serviços de vídeo como Skype ou Google Hangout.
Pela câmera do computador, o candidato tem a chance de se expor e discorrer sobre as informações que ele próprio escreveu em seu perfil nas redes sociais (sim, a essa altura, o entrevistador já terá olhado seu perfil no LinkedIn e provavelmente no Twitter e no Facebook). O desempenho online será a primeira chance de causar uma boa impressão.
O modo como as empresas trabalham hoje, com investimentos em pontos muito distantes uns dos outros, indica que essa prática será cada vez mais comum. "Muitas contratações são fechadas sem o contato pessoal nos EUA e nós, certamente, caminhamos para esse lado", diz Carlos Eduardo Altona, também sócio da Exec. A emergência de polos financeiros fora do eixo Rio-São Paulo seria um estímulo para esse novo jeito de contratar empregados.
Em geral, trata-se de uma modalidade usada para cargos de alta gerência, segundo a consultoria. Mas há também algumas seleções de trainees usando o vídeo como parte do processo de avaliação do candidato. A L'Óreal, por exemplo, marcou entrevistas pelo Skype como uma das últimas etapas do processo de 2012. Na Votorantim Cimentos, o recrutamento à distância é feito com todos os candidatos que residem fora da capital ou no exterior, via Skype ou Webex.
Com o aumento do uso das entrevistas por vídeo, surgem também as dúvidas dos candidatos. Em fóruns e sites, há vários comentários sobre o uso desses serviços. "Não gosto de Skype, prefiro pessoalmente" e "acho que não dá para você mostrar quem você é" foram comentários constantes num fórum criado no Orkut por candidatos ao trainee da L'Óreal de 2012. Os especialistas aconselham: comportamento e vestuário devem ser os mesmos de uma entrevista feita pessoalmente. Mas é preciso também ter cuidado extra com a iluminação e o fundo.
Redes sociais. Além de familiaridade com os recursos de vídeo, igualmente importante é o modo como as pessoas se apresentam nas redes sociais. Cerca de 13% das contratações no mercado americano se originam desses sites, segundo estimativas da consultoria em recrutamento Michael Page. No Brasil, a empresa prevê que essa porcentagem esteja entre 8% e 9%. Trata-se de contratações em que as empresas fazem o contato por meio de LinkedIn, Facebook e Twitter.
Altona, da Exec, diz que as redes sociais servem como fonte de informação para a grande maioria dos recrutadores e também ambiente de conexões para os candidatos. "Todo profissional que tem interesse numa carreira mais corporativa e em manter contato com certas pessoas tem de estar numa rede social."
A recomendação dele é manter os perfis preenchidos completamente e atualizados. Ele diz ser preferível não estar na rede a deixá-la abandonada - os vários perfis fantasmas no Twitter, de gente que abriu a conta e publicou poucas mensagens, são o exemplo do que não fazer.
Fernanda Chaves, estrategista de comunicação no site Vagas, avalia, porém, que uma conta aparentemente esquecida no microblog não é necessariamente "um mico". "O Twitter é uma plataforma para consumir informações rápidas. Tem gente que está lá só para isso." Para Fernanda, no caso do LinkedIn, nem todas as abas precisam ser preenchidas, já que o recrutador não vai ter tempo de ler tudo. O conselho dela é concentrar-se em palavras-chave.
Mas é melhor não optar pelas descrições consideradas "batidas". "Para se destacar, o mais adequado é focar nas experiências e conquistas", diz a gerente de comunicação corporativa do LinkedIn, Danielle Restivo. Segundo pesquisa da própria rede social, entre as palavras mais usadas em perfis brasileiros no LinkedIn está "responsável
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